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O que faço para criar minha filha consciente de sua potência?

O que faço para criar minha filha consciente de sua potência?

Como já disse em outro texto por aqui, a autoestima é um aprendizado tanto quanto a linguagem ou a escrita. São saberes que começam a ser desenvolvidos na infância. É nessa fase que boa parte de nossas principais referências são formadas e construídas. Então, arrisco dizer que é também na infância que as crianças começam a ter suas referências de “empoderamento”.

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Mas, diante de tantas referências sobre este conceito, o que eu – ou você – como mãe, pai e demais cuidadores de crianças, podemos fazer para empoderar nossas pequenas potências? O que será que isso significa?

Como mãe, acredito que “empoderar” minha filha significa oferecer ferramentas para que ela descubra, compreenda e acredite em seus próprios potenciais. Eu, junto com o pai dela e toda a rede que criamos em torno dela – avós, madrinhas, amigas e amigos – cuidamos para transferir os aprendizados de nossas vivências na jornada que cada um teve nesse sentido.

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Aqui em casa, a gente conversar com ela sobre suas características positivas, físicas e emocionais, com o objetivo de fazê-la reconhecer seus potenciais. Também fazemos o possível para ser uma referência de auto-cuidado, assim, ela aprende a importância do autoamor. Apresentamos referências próximas e parecidas com ela, no tom de pele e cabelo, por exemplo, de forma que se enxergue, se encontre. Ensinamos as histórias daqueles que vieram antes dela, seus ancestrais. Assim, ela cresce conhecendo sua própria historia. E, principalmente, fazemos dos diálogos um lugar seguro para que ela traga suas questões, dúvidas e inseguranças.

Acreditamos, de verdade, que esse é o nosso combo para que ela se instrumentalize e, junto com as crianças de sua geração, sobretudo as mulheres e pretas, atinja este lugar de boa autoestima, de emancipação e empoderamento.

Uma coisa importante de pontuar em relação a estas reflexões é que uma criança não aprende estas coisas apenas com a educação dos mais velhos, mas, sim, com uma comunidade inteira, uma sociedade. Ou seja, por mais que todos os esforços sejam feitos por seus cuidadores, a responsabilidade de termos crianças empoderadas deriva da existência de uma sociedade livre de desigualdades, ou seja, é responsabilidade de todo mundo.

Vivemos em um país em que o racismo nos estrutura socialmente, ou seja, determina e define uma série de comportamentos individuais, coletivos e também institucionais. E, por isso, nesse processo todo, crianças negras merecem atenção e cuidados extras, pois são estas crianças que crescem em uma sociedade que ainda caminha lentamente no sentido de entendê-las como belas e potentes.

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Eu, mulher negra, filha de mãe ativista e mãe de uma menina preta escura, acredito que uma das coisas mais relevantes seja trabalhar, desde muito cedo, a construção do “olhar” desta criança. Quero que ela olhe no espelho e se veja grande, potente, possível. Que ela consiga deitar a cabeça no travesseiro e sonhar, imaginar todo e qualquer mundo como possível pra ela.

Mas, sei que isso não é uma tarefa fácil. É um processo constante e que precisa de atenção contínua. Todos os dias é dia de fazer uma criança se sentir segura com o que ela tem, com o que ela é.

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